COOPERATIVISMO
Participação das cooperativas chega a 51,8% entre as microempresas e a 43,9% entre as pequenas
08/10/2026 10:00:00
Avanço mostra peso do cooperativismo no financiamento dos negócios catarinenses
As cooperativas de crédito já respondem por mais da metade da carteira de crédito das microempresas em Santa Catarina. Em junho de 2026, 51,8% dos R$ 9,8 bilhões em crédito destinados ao segmento no Estado estavam nas cooperativas. Entre as pequenas empresas, a participação também ganhou força: 43,9% de uma carteira total de R$ 36,5 bilhões. Os dados são do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, compilados pela plataforma BI.COOP no mês de junho, e mostram o avanço do cooperativismo no financiamento dos negócios de menor porte.
Na prática, isso significa que, a cada R$ 10 de crédito tomados por uma microempresa catarinense, mais de R$ 5 já estão dentro do sistema cooperativo. No caso das pequenas empresas, são quase R$ 4,40 a cada R$ 10. A dimensão desses números coloca as cooperativas entre os principais canais de acesso a recursos para uma parcela importante do setor produtivo do Estado.
Para esse universo de empresas, a necessidade de financiamento acompanha diferentes etapas do negócio: capital de giro para manter a operação, crédito para comprar máquinas e equipamentos, recursos para instalações e tecnologia ou financiamento para veículos e expansão da produção.
Para Luiza Zitzke, gerente de Crédito e Captação do Sicoob Central SC/RS, parte da explicação para a forte presença das cooperativas nesse mercado está no modelo de relacionamento. "Nossas cooperativas constroem uma relação de longo prazo com o associado, permitindo que a instituição acompanhe de perto a trajetória da sua empresa e as particularidades da atividade econômica de sua região. São negócios que, muitas vezes, possuem estruturas financeiras mais enxutas, menor disponibilidade de garantias e maior dependência de recursos”, diz Luiza.
A importância desse relacionamento aparece na trajetória da Madeireira Irmãos Battisti, de Major Gercino. A empresa começou em 2004, com uma serraria simples e operação manual. O primeiro trator foi adquirido em 2008 e, desde então, o negócio ampliou gradualmente sua estrutura. Hoje, chega a serrar cerca de 1.200 metros cúbicos de tora por mês.
O empresário Odair José Battisti abriu uma conta no Sicoob em 2011, por indicação de amigos. Segundo ele, a dificuldade de acesso ao crédito era uma realidade nos outros bancos com os quais mantinha relacionamento. “Eu tinha muitas dificuldades em outros bancos, principalmente para conseguir crédito, mas no Sicoob o atendimento foi diferente desde o início. O gerente já entendeu nossa situação e nos ajudou a organizar a conta e acessar o crédito, que foi fundamental para levantar a empresa”, conta o empresário.
Em 2014, um caminhão da empresa pegou fogo, comprometendo o transporte dos materiais. A necessidade de substituir o veículo levou novamente a empresa a buscar financiamento. Segundo Battisti, encontrou no Sicoob condições que permitiram recuperar a operação e, posteriormente, adquirir dois caminhões. “O que mais marcou foi justamente esse apoio nos momentos de maior dificuldade. O financiamento do caminhão foi uma vitória para nós, o Sicoob sempre esteve pronto para ajudar”, diz o associado.
COOPERATIVISMO GANHA ESCALA EM SANTA CATARINA
A participação das cooperativas no crédito empresarial acompanha uma expansão do cooperativismo em Santa Catarina. Segundo a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Sistema OCESC), 69 cooperativas do ramo crédito reuniram cerca de 4 milhões de associados em 2025 e empregaram 20,8 mil pessoas. As receitas do segmento chegaram a R$ 30 bilhões.
Esse resultado reflete diretamente no mercado de crédito. A evolução ao longo dos últimos anos mostra que esse não é um movimento pontual. De março de 2021 a junho de 2026, a participação das cooperativas no crédito para microempresas subiu de 45,7% para 51,8%. Entre as pequenas empresas, o avanço foi de 36% para 43,9%. O ganho de 6,1 e 7,9 pontos percentuais, respectivamente, mostra que as cooperativas vêm ampliando seu espaço no financiamento de empresas de menor porte, justamente um segmento em que o acesso a recursos pode determinar a capacidade de manter a operação, investir e expandir.
A dimensão da rede ajuda a explicar sua relevância para os pequenos negócios. As cooperativas mantêm presença regional e relacionamento direto com empresas de diferentes setores, do comércio e dos serviços à indústria e ao agronegócio. Essa capilaridade aproxima o sistema financeiro de municípios de diferentes portes e de empresas de diversos segmentos.
Ao mesmo tempo em que as cooperativas ampliam sua participação no crédito, cresce o universo de empresas que pode demandar esses recursos. No primeiro trimestre de 2026, Santa Catarina registrou a abertura de 94,3 mil novas pequenas empresas, alta de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Sebrae/SC. São novos negócios que, ao longo de sua trajetória, podem demandar recursos e investimentos. O crescimento da base empresarial, portanto, reforça a importância de ampliar os canais de acesso ao crédito.
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