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Rompendo o Cercadinho

Rompendo o Cercadinho

Carlos Tonet

 

Governo do Mito começou muito bem.

Bolsonaro surpreendeu.

Inteligentemente criou um cercadinho com bons nomes para áreas estratégicas.

E ficou no meio desse cercadinho.

Nomeou alguns ministros caricatos, mas em linhas gerais cercou-se de ministros fortes e bem preparados, tipo o Moro, o Paulo Guedes e alguns militares, de quem se espera preparo técnico e capacidade.

Bolsonaro algumas vezes reconheceu ser ele próprio um sujeito limitado, chegou a dizer que não era o candidato ideal mas seria aquele que formaria um melhor governo.

Ao contrário da Dilma, parece não ter medo da sombra de pessoas mais preparadas.

Fez uma revolução ao escolher os ministros.

Não entregou o BC, a Caixa, o BB, o BNDES ou a Petrobras a políticos medíocres ou apadrinhados políticos de aliados.

Deixou que aflorassem nomes reconhecidos pelo mercado e delegou a essas pessoas a tarefa de administrar.

Logo de início veio o pacote anti crime e a proposta da reforma da Previdência.

Até o Mourão, tido como turrão ignorante, revelou-se bem humorado sensato e capacitado.

Tudo ia muito bem enquanto Bolsonaro convalescia do atentado e no período em que ficou no hospital.

Afastado da bolsa de colostomia, Bolsonaro parece ter decidido romper o cercadinho tão bem construído, passando a dar declarações contraditórias, desautorizando ministros, invertendo prioridades e envolvendo-se em questiúnculas das quais deveria passar ao longe como Chefe de Estado.

Eu fiquei animado com o começo e a montagem do governo, assim como o mercado, os empresários, os investidores e economistas também ficaram.

Vi de início um Bolsonaro decidido, capaz de assumir limitações e compensá-las com a delegação de tarefas a pessoas capacitadas, gente diferente no comando das estatais.

Mas começo me preocupar.

Temo que ele traga desânimo ao mercado, que mais cedo ou mais tarde pode perder a paciência com as demonstrações de amadorismo e infantilidades do presidente e seus filhos.

Minha esperança é de que os ministros mais compenetrados, sérios e comedidos, notadamente os generais mais experientes, consigam de algum modo mostrar o quão bom foi o seu começo, o quanto de boas perspectivas o País tem com as propostas do governo e o quanto de tudo isso ele pode derrubar se continuar dando coiçadas a esmo.

Meu desejo sincero é chegar em 2022 com uma economia forte e resplandecente, com algumas reformas no Estado produzindo efeitos positivos e duradouros.

Um futuro embasado em mais liberalismo econômico, em menos privilégios de castas estatais, com uma economia verdadeiramente competitiva e com menos protecionismo aos grupos financiadores de políticos.

Mas isso só ocorrerá se o Mito não romper o cercadinho que ele tão brilhantemente montou em torno de si mesmo.


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