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Napoleão na chuva e Mário no porão

Napoleão de cabelo espetado e camisa amassada: nem o gel melequento salvou ele

Napoleão na chuva e Mário no porão

CARLOS TONET
Ex-morador de porão

 

Talvez nem todos tenham percebido, mas Napoleão & Mário fizeram um belo evento ontem, na cerimônia em que o Napoleão renunciou e o Mário assumiu como prefeito.

O ato foi uma demonstração de prestígio político do Napoleão.

Raimundo Colombo e Pinho Moreira estiveram presentes.

Algo como o papa Francisco e o ex-papa Bento 16 juntos.

Napoleão trouxe a Blumenau a cúpula da Tríplice Aliança: PSD, MDB, PSDB.

O auditório principal do Teatro lotou. Só aí são perto de mil pessoas.

Um salão contíguo foi aberto, recebeu um telão e mais um monte de lugares.

 

MÁRIO NO PORÃO

Mário fez um discurso de uns 20 minutos.

Foi uma fala bacana, calcada no lado pessoal.

Mário contou que veio de Taió duro e sem dinheiro.

Morou um ano na casa de amigos de graça.

Morou em porão de uma casa na Coripós.

Fez curso de datilografia.

Formou-se em contabilidade.

Me identifiquei com ele.

Vim de Rio do Oeste duro e sem dinheiro.

Fiz curso de datilografia, sou contador, morei de graça na casa de amigos e morei num porão na Velha.

O prefeito Mário falou de seus planos, falou em continuidade e anunciou que vai criar a Secretaria da Transparência sem gastar nada, sem contratar ninguém, apenas com remanejamentos.

De resto, falou bem do Napoleão, da amizade e boa relação entres os dois, o que, até aqui, é absolutamente verdadeiro.

 

NAPOLEÃO NA CHUVA

Talvez muita gente não tenha prestado atenção, mas o discurso de renúncia do Napoleão foi quase uma obra de arte.

Napoleão subiu ao palco meio descabelado e com a roupa amassada de tanto abraços e encontrões.

O furdunço foi tanto que o gel melequento que ele usa não deu conta.

O cabelo ficou espetado.

Ele exerceu seus dons de oratória como nunca.

Ao longo de suas falas, ia chamando pessoas para o palco.

Gente já previamente convidada e preparada num roteiro imaginado por ele.

Napoleão é um exímio contador de histórias.

Uma dessas pessoas levadas ao palco como símbolo foi o morador de uma rua no Garcia.

Uma rua de pó e barro.

Napoleão contou que perambulava por lá durante a campanha de 2012, ainda em terceiro lugar nas pesquisas, quando um senhor o abordou:

“Precisamos calçar a rua. O senhor promete?”.

Napoleão disse que não poderia prometer.

“Depois eu fiquei sabendo dos comentários. As pessoas diziam: que candidato é esse que mesmo estando em último lugar não promete obra?”.

A rua acabou sendo pavimentada com Napoleão na prefeitura.

“Foi uma obra que não prometi”.

Da mesma forma, Napoleão trouxe ao palco dezenas de pessoas, todas de alguma forma ligadas a alguma de suas ações, de sua vida.

O momento de ontem foi um raro momento verdadeiro da política.

Tivemos um Mário ainda não prefeito, um Mário mais envolvido emotivamente com o Napoleão do que com a dura realidade do jogo político que os aguarda, com todas as suas voltas, reviravoltas e imprevisibilidades.

Tivemos um Napoleão solto, à vontade, prestes a deixar o peso de ser prefeito para flutuar no sonho de uma carreira política mais ampla, algo que ainda é um sonho.

Como todo sonho, traz riscos.

Entre o conforto e a comodidade da lareira e o risco da chuva fria de inverno, Napoleão escolheu a chuva ao renunciar sem saber ao certo a qual cargo concorrerá.

Como ele mesmo disse, “talvez um dia, daqui a 20 anos, alguém me diga, mas que péssima decisão aquela sua de renunciar, hein?”.

Eu acho que ele sabe que esse dia não chegará.

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